Uma Perspectiva sobre o Treino do Bailarino de uma Crew HHI

Atualizado: Jun 1

Ferramentas para a criação de uma mentalidade individual de disciplina

de treino.



O potênciamento da performance motora, inerente dimensão artística da dança,

pressupõe, inequivocamente, uma elevada carga horária de treino.

Cada vez mais e cada vez mais cedo, as escolas de dança começam a sujeitar os

seus alunos a cargas de treino de elevada intensidade e duração, o que requer

conhecimentos e formação adequadas dos agentes formativos envolvidos, nomeadamente

os crew leadears. A sua experiência artística é muito importante, mas

será tão mais eficaz se complementada com conhecimentos específicos de motricidade,

fisiologia de movimento e metodologia de treino.⠀


A eficiência e eficácia do gesto ou movimento estão dependentes da forma como

estes são trabalhados nos processos de treino e o treino tem de ser estruturado

tendo como base as necessidades motoras de cada estilo de dança. ⠀


A motricidade e personalidade de movimento é que tornarão sempre os passos

diferentes, por isso a génese do treino do bailarino de streetdance tem de estar

numa primeira fase no entendimento das nuances mecânicas, estéticas e energéticas

que sustentam cada estilo de dança.


Pensemos nas varáveis que estruturam cada estilo de dança no universo do bailarino

de streetdance, tendo sempre em consideração que estas variáveis não têm

como base posições estáticas, mas sim fisicalidades e padrões de movimento.


1 - Flow, movimento corporal continuo ou Groove, movimento repetitivo ao ritmo

da musica são 2 conceitos basilares e o processo de treino deve começar precisamente

pela sua exploração e conhecimento. Dentro do groove temos o rock e o

bounce, que são os 2 padrões de movimento estruturantes.


2 - Trabalho técnico: No trabalho técnico eu incluo várias varáveis ter em consideração

como as Foundations ou Party Steps e aquilo que designo de Fisicalidade

Técnica onde incluo transferências de peso, deslocamentos e exploração

espacial, trabalho de níveis, ritmo, isolamentos, ondulações, contrações, oposições

e assimetrias, torções, trabalho articular, slow motion, frame, loop, repetições, acelerações.

Incluo aqui também o Footwork e Floorwork. Estes 2 conceitos por si só

requerem um treino muito diferenciado.


Existem outras variáveis a ter em conta no processo de treino, mas fiquemos pelas

acima descritas. A panóplia de mecânicas de movimento e dinâmicas físicas apresentadas,

por si só, ilustram bem o trabalho técnico que um bailarino de streetdance

tem pela frente. O desafio agora está na forma como cada uma destas mecânicas

é trabalhada, ou seja no entendimento duma filosofia de treino.

Na minha opinião o treino deve ter uma fundamentação funcional, isolando numa

fase inicial mas sempre como uma direção holistica e sustentada pela integração

inteligente de diferentes capacidades físicas no treino da função, pois acredito que

o gesto nunca pode ser visto como um padrão isolado da fisicalidade do estilo de

dança em causa. Isto são os princípios básicos para um formando em streetdance.

No próximo artigo falaremos sobre a preparação física básica que qualquer atleta/

bailarino tem de ter para melhorar a sua performance e prevenir lesões.


Autor: Vitor Fontes (2021)


17 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
Layer_x0020_1.png