Hip Hop – Das Ruas para o Olimpo

Atualizado: Jun 1



I. A origem

Clive Campbell, aka (também conhecido por) Dj Kool Herc, considerado o “Pai” do Hip Hop (1), desenvolveu nas suas festas – Block Parties no inicio da década de 70, um movimento onde se cruzavam os diferentes elementos que constituem a génese da cultura Hip Hop: Djing, Mcing, Breaking e Grafiti (2). O Hip Hop nasce como um movimento multicultural que viria a revolucionar e a influenciar os mais variados sectores como a música, a dança, o vestuário, as artes e o próprio discurso das gerações correntes e vindouras (3).

O termo Hip Hop, só surge na verdade, no início dos anos 80, atribuído ao também Dj pioneiro Afrika Bambataa, para caracterizar este movimento urbano dinâmico. As palavras Hip Hop, eram originalmente utilizadas pelos MCs, nas suas rimas improvisadas (4).

Este movimento, surge numa época de enormes conflitos sociais, no Bronx, em Nova York, durante um dos mais baixos pontos da história deste “bairro”. Um contexto social que se caracterizava por elevados níveis de crime, drogas, atividades de gangues dentro das comunidades, taxas de desemprego altas e onde a corrupção política prevalecia (5).

O termo como o conhecemos, atualmente, refere-se aos elementos interligados desta mesma cultura jovem que surge num círculo multiétnico de autoexpressão de diversas culturas de jovens socialmente carenciados de origem africana, porto-riquense, americana, assim como outros latino e afro-imigrantes caribenhos que residiam no bairro pobre do Bronx, em Nova Iorque (6).

Como resposta à falta de acesso a uma habitação digna ou de atividades para ocupação dos tempos livres, os jovens do Bronx canalizaram a sua energia de forma criativa em torno do graffiti e do breaking. Ainda que vistos como atividades marginalizadas, estes elementos distintos conduziram à associação de vários jovens em grupos significativos, não para ilustrar atos de violência, mas para expressar a sua criatividade e individualidade de forma positiva atribuindo uma nova conotação a esta comunidade marginalizada pela opressão social e racial (7).

As festas de Kool Herc começaram o efeito dominó que resultou na cristalização do hip hop, algo diferente de tudo o que acontecia na época. Da mesma forma que as suas festas se tornavam populares localmente, outros DJs de Nova York rapidamente começaram a aperfeiçoar os seus próprios eventos (festas) e quem conseguia atrair o maior número de Bboys e Bgirls, para dançar na sua festa, era frequentemente considerado o melhor DJ (8).

Desde a sua origem, o elemento dança da cultura hip hop, assumiu uma enorme relevância, estando na sua génese é parte fundamental e indissociável da sua identidade.


Referências

1. Marshall, Wayne. Kool Herc. [book auth.] Mickey Hess. Icons of Hip Hop:An Encyclopedia of the Movement, Music, and Culture, Volumes 1 & 2. Westport, CT : Greenwood Press, 2007, Vol. 1, pp. 1-25.

2. Langnes, Tonje F and Fasting, Kari. Identity constructions among breakdancers. International Review for the Sociology of Sport. 2014, Vol. 51, 3, pp. 349-364.

3. Rajakumar, Mohanalakshmi. Hip Hop Dance - The American Dance Floor. Santa Bárbara : Greenwood, 2012.

4. Pabon, Jorge. Physical Grafiti: The History of Hip Hop Dance. [book auth.] Jeff Chang. Total Chaos: The Art and Aesthetics of Hip-Hop. s.l. : Basic Civitas, 2007, pp. 17-26.

5. Universal Hip Hop Museum. Education Resource Guide The Foundation - Revolution of Hip Hop. Bronx, New York : s.n. Hip Hop Education Center.

6. Flores, Juan. From Bomba to Hip Hop - Puerto Rican Culture and Latino Identity. New York : Columbia University Press, 2000.

7. Collins, Patricia Hill. From Black Power to Hip Hop: Racism, Nationalism, and Feminism. Philadelphia : Temple University Press, 2006.

8. Li, Rong Zhi and Vexler, Yonatan Asher. Breaking for Gold: Another Crossroads in the Divergent History of this Dance. The International Journal of the History of Sport. 2019, Vol. 36, 4-5, pp. 430-448.


Autor: Jorge Pereira (2021)

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